Uma Biblioteca Comunitária e a construção de um Brasil melhor
A biblioteca Comunitária Ler é Preciso de São Miguel Arcanjo é um exemplo de ação que gradativamente torna-se uma política pública – integrando a comunidade, o governo local e a iniciativa privada em prol da formação de uma sociedade mais justa e igualitária.
Um trabalho de formiguinha. Foi assim que João Miguel Barbosa, interlocutor institucional da Suzano, definiu o bem-sucedido projeto de Biblioteca Comunitária implantada no município de São Miguel Arcanjo, interior de São Paulo, em parceria com o Instituto Ecofuturo. Para João Miguel, "a construção de uma sociedade leitora é muito mais que responsabilidade social, é a sustentabilidade social e econômica de um País”. De acordo com o interlocutor, “estamos vivendo na era do conhecimento e da informação e a leitura é parte obrigatória deste processo. Nossos passos são de formiga, mas são bem sólidos, contínuos e consistentes".
A Biblioteca de São Miguel Arcanjo foi inaugurada em dezembro de 2002 e, desde então, vem desenvolvendo, de maneira exemplar, seu principal objetivo: democratizar o acesso à leitura e apoiar a formação de leitores e cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. No último ano, foram registradas 9.548 visitas, que resultaram em mais de 12 mil empréstimos até fevereiro de 2007. O acervo local, iniciado em 1.000 livros, já tem atualmente 6.135 obras e 2.074 leitores cadastrados. Além da Biblioteca, o espaço conta também com a Brinquedoteca, onde as crianças têm acesso a brinquedos, atividades lúdicas e interação social, vivenciando horas agradáveis com novos amigos e criando o hábito de brincar em grupo.
A integração entre o poder público, a comunidade, parceiros e patrocinadores é um dos principais motivos para que a Biblioteca tenha esses resultados sólidos e positivos. Segundo João Miguel, como em qualquer outro projeto, é difícil conseguir consenso, aceitação e participação efetiva, mas existe, neste caso, um bom relacionamento com os poderes públicos, que demonstram pró-atividade e compromisso. "Com a comunidade é um processo lento, mas temos certeza de que estamos construindo uma relação sólida. Nossos leitores, em sua grande maioria, são crianças e jovens e, então, teremos pela frente um efeito cascata. Hoje são jovens, amanhã serão pais que, com certeza, incentivarão seus filhos à leitura. Assim, fechamos um ciclo eterno e contínuo", afirma.
Em 2006, a equipe da Biblioteca Comunitária de São Miguel Arcanjo auxiliou alunos voluntários da Escola Municipal Joaquim Nunes Vieira na formação de uma biblioteca própria. Além disso, levou – a cada 15 dias – livros e promoção de leitura aos alunos de escolas rurais da cidade. "Levamos os livros para as crianças e elas ficaram encantadas, tomaram cuidado com o material, entenderam que é preciso conservá-los e sempre devolviam na data certa. No final do ano, premiamos os “campeões da leitura” – considerando aqueles que sempre cumpriram as regras de empréstimos – com uma medalha", conta Lidiane Ribeiro, funcionária da Biblioteca desde maio do ano passado.
O aprendizado e as conquistas atingem toda a comunidade. Segundo Luciana Ratto, funcionária da Biblioteca desde 2004, a freqüência no local é muito grande e só tem crescido. "Aprendemos muito com as crianças aos percebermos que aquelas que enfrentam as maiores dificuldades são as que dão mais valor ao conhecimento e ao livro. Uma verdadeira lição de humildade e sabedoria", reflete a profissional, que divide com a colega Lidiane as funções de auxiliar de biblioteca e promotora de leitura.
Mais uma vitória
Em janeiro último, foi aprovada a Lei nº 2.787, autorizando a liberação de verba mensal para a manutenção da Biblioteca Comunitária Ler é Preciso em 2007 – condicionada a prestação de contas do mês anterior. Esta conquista garante estrutura mínima para a continuidade do trabalho de transformação da realidade de muitas crianças e jovens, que, como formiguinhas, poderão futuramente construir um Brasil melhor para todos.
